Exú
"O tom da Cabaça, na mandinga de Exu"
Em um momento da existência Exu recebeu um desafio de Ifá, que se tratava de leva uma cabaça até o mercado de Ifé, Exu teria que escolher entre duas cabaças, pois uma continha o bem, a outra continha o mal, uma era remédio, a outra era veneno, uma era corpo, a outra era espírito, uma era o que se vê, a outra era o que não se enxerga, uma era palavra, a outra era o que nunca será dito.
Exu usando de sua mandinga, pediu a Ifá uma terceira cabaça, abriu as três cabaças e misturou tudo das duas primeiras na terceira. Balançou bem e surgiu um pó.
Dai então que remédio pode ser veneno e veneno pode curar, o bem pode ser o mal, a alma pode ser o corpo, o visível pode ser o invisível e o que não se vê pode ser presença, o dito pode não dizer e o não dito pode fazer discursos vigorosos.
Exu se torna Igbá Ketá (Senhor da Terceira Cabaça). É com essa cabaça que Exu caminha pelo mercado, com o passo gingado. Há momentos que Exu retira um pouco do pó da cabaça, sopra entre as mulheres e os homens para nós colocar em desafio, devemos ter o discernimento de entender a proporção, devemos ter coragem e mandinga para sair no aú e voltar na rasteira, devemos ser ciente que de cabeça para baixo, vemos o mundo de outra visão.
A cabaça é um "objeto/ferramenta/símbolo de tantos outros e outras manifestações espirituais, ela está presente em diversas culturas espalhadas pela Áfrika e pelo mundo, coincidência ou não, ela, a Cabaça que dá o tom de nosso arco (monocórdio de Exu) o Berimbau.
Mesmo assim não podemos esquecer do nosso coité, assim como cantava alguns antigos.
"Meu arco é de biriba, minha cabaça é de coité..."
"Seguimos na busca, enquanto isso vamos semeando pelo caminho".
Alexandre Soares da Silva
Centro de Prática e Pesquisa N'Golo Capoeira Angola
Desde 1997
Caruaru - Bezerros - PE
Firme e forte como o Baobá

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